Histórico

A Cia D´Artes é uma empresa produtora de cinema, TV e teatro do Centro-Oeste, liderada pelo cineasta Amauri Tangará e a produtora Tati Mendes. Já produziu 04 longas, 08 médias e 53 filmes em oficinas de cinema entre Brasil, Portugal e outros países. Nesse momento produz uma série para a TV de 26 episódios de 13´- O PANTANAL E OUTROS BICHOS – (edital de TVs Públicas), toda ambientada no Pantanal para adolescentes entre 6 e 12 anos, com foco principal na junção da tecnologia com as lendas e mitos brasileiros, um telefilme – MATA GROSSA – (edital de arranjos regionais) com direção e a grande maioria de técnicas femininas, que pretende resgatar personagens de mulheres do passado e atuais que fazem de suas vidas uma história memorável.

Roteirista, dramaturgo, cineasta, diretor teatral, preparador de atores, provocador cultural, ator. Amauri é um autodidata que se dedicou as artes desde cedo. Líder firme e generoso de suas equipes, circula à vontade entre palcos e sets, privilegiando sempre o “angariar afetos”.

Amauri Tangará
O diretor

Administradora, gestora cultural, parecerista, facilitadora de oficinas de cinema, produtora. Responsável por realizar os “sonhos” e tirá-los do papel, para que virem produtos de qualidade para as plateias do mundo

Tati Mendes
A produtora

O Principio

Fazer teatro nos idos de 60 e 70 representava carregar a certeza de que éramos nós os agentes da mudança deste país. A força estava conosco, porque juntos podíamos tudo e a utopia mantinha a todos muito mais unidos. Foi nessa altura que o teatro começou a se tornar um vício. Desde lá eu sabia, nunca mais o teatro sairia de mim. Ele foi o meu pai e a minha mãe. Foi a minha escola, o meu pão de cada dia, a minha estrada e nela seguirei até o fim.

Depois veio a televisão e nos “aliciou”, nos seduziu, nos permitiu ver terras mais distantes, que antes só o cinema e os livros nos permitiam ver. Em Mato Grosso ela chegou bem tarde e a nossa televisão permaneceu sendo os contadores de histórias ou “causos” por muito mais tempo do que no litoral, onde o progresso sempre chegou primeiro. Nos rendemos à televisão e muitos de nós lutamos para alcançar a possibilidade de trabalhar nas novelas. Eu cheguei até aí, depois percebi que esse não era mesmo o meu caminho, a minha sina. Os papéis não me diziam muito e era tudo muito distante daquele universo de solidariedade que o teatro me ensinou. Então, voltei…

Voltei para Mato Grosso e assumi o meu papel, o de dramaturgo e diretor. Encontrei uma companheira que topou pegar a estrada e contar as histórias que eu ouvi durante os anos que andei pelos sertões da minha vida. Dessa maneira começou a Cia D’Artes. Quem vê assim de repente pode pensar que andamos muito, mas na verdade trilhamos os caminhos de volta pra casa, porque descobrimos que o Brasil é Brasil em todos os cantos. Depois esticando um pouco mais a perna fomos parar em Portugal e lá, descobrimos o Teatro O Bando. Foi uma descoberta daquelas boas, que sempre surgem com simplicidade e sem muitos planejamentos. Com eles aprendemos que nossa vocação de andar o mundo para “voltar para casa” era a mesma do lado de lá do Atlântico. Eles que nasceram enquanto grupo no pós 25 de abril de 1974, envoltos nos ventos alvissareiros da utopia revolucionária, têm como jargão “ir longe é voltar para casa”. Talvez por isso permaneçamos tanto tempo juntos, mais de 20 anos, trocando experiências e dramaturgias. Conhecendo-nos mutuamente mais a cada dia.

Hoje, temos uma agenda anual que nos liga ao Bando e pelo menos por três meses passamos juntos, os dois grupos, nos aprendendo e reinventando, porque os nossos olhares ainda faíscam utopia e porque sabemos que ainda há muito para ser feito e dito e a nossa missão continua viva.

Mas o cinema, aquele que me cativou desde sempre, desde o tempo em que ir ao cinema e ao circo significava partilhar o convívio e fortalecer os vínculos familiares, o cinema ficou sempre em mim como uma marca daquelas que levam as rezes para nunca mais se esquecerem da sua origem e do seu “pertencimento”.  O cinema latejava em mim e eu não podia simplesmente rejeitá-lo somente porque não havia incentivos, ou recursos para fazê-lo, aliás o teatro já havia me ensinado a coragem de fazer sem ter meios, então, comecei a transformar as histórias para o cinema. Foram se seguindo os textos e de forma curiosa já saiam assim, em forma de roteiros, prontos para o set. Comecei a batalha em 1987 e em 96 consegui enfim realizar o primeiro curta POBRE É QUEM NÂO TEM JIPE. Desde então nunca mais parei. O Teatro e o Cinema, o Cinema e o Teatro, feitos e conquistados “no braço” como se costuma dizer no interior. Minha origem camponesa nunca me fez perder a esperança. E me fez crer que a melhor escola é a daqueles que jamais desistem dos sonhos.

O destino me uniu a outra força e juntos seguimos perseguindo os sonhos e contando histórias de todas as maneiras possíveis ou… impossíveis!!!

Reportagens

O início – os grupos que dirigi e os espetáculos com os quais rodamos o Brasil nos anos 70/80 – os temas: “O Preço” – a ditadura; “Chão Nosso de Cada Dia” – a reforma agrária, “A Dança dos Tangarás” – a perda iminente de nossas identidades culturais.